quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O fim de toda nossa estupidez

Dzongsar Rinpoche conduzindo uma sessão de prática com Budistas Indianos,
na terra sagrada de Sankassa, Uttra Pradesh.


"Sabe, se o tempo fosse de fato terminar, então todo o significado de "tempo" em si entraria em colapso. Tempo em si não deveria terminar, mas uma "era" pode e vem a encontrar um final e isso é, provavelmente, o que os grandes Maias estavam nos dizendo. Mas claro, sempre é possível que eles não tiveram mais espaço na pedra em que gravavam o calendário deles.

    Buda disse que dentro da esfera do mundo que é percebido e experienciável, tudo é uma manifestação de condições e que condições são manipuladas pela motivação. Então, com a motivação correta, 'condições' também podem ser auspiciosas e se essa era está realmente vindo a terminar, rezemos para que seja o fim de toda a nossa estupidez e que o amanhecer da nova era seja o de despertar.

    Em alguns dias estaremos celebrando o início do tradicional ano novo e eu gostaria de desejar a todos vocês um Feliz Ano Novo. Que possa ser o início de uma vida significativa para todos nós e que possamos nos abster do nosso hábito de rodarmos de novo e de novo em círculos e, ao invés disso, encontrarmos uma nova maneira de seguirmos em frente."

                                            Dzongsar Jamyang Khyentse


(Texto postado hoje, 20/12/2012, no facebook de Dzongsar Jamyang Khyentse.) 
Colaboração: Mano Clovis

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Conselho aos praticantes do Dharma por Chatral Rinpoche


Aqui está a mais preciosa gravação em video de Sua Santidade Chatral Sangye Dorje Rinpoche, um conselho espiritual aos praticantes do Dharma,  gravado na India em 2000.

Este video é parte do excelente documentário "The Rainbow Body of the Nyingma School of Tibetan Buddhism", produzido pela Dudjom Buddhist Association, e pode ser adquirido através do site.

Que todos os seres possam se beneficiar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Disciplinar a mente

 Dilgo Khyentse Rinpoche

"Se não conseguirmos conquistar o nosso próprio ódio,
Quanto mais combatemos os inimigos externos, mais eles irão crescer,
Portanto, com o exército do amor e da compaixão,
Disciplinar a nossa mente é a prática de um bodhisattva."  


                                                Dilgo Khyentse Rinpoche
em "O Coração da Compaixão: Os Trinta e Sete Versos na Prática do Bodhisattva"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Um sonho épico

 Dzongsar Khyentse Rinpoche

    "A melhor metáfora para as nossas experiências neste mundo é a de um sonho épico com uma série de histórias complexas que se entrelaçam, com altos e baixos, dramas e emoções fortes. Se um episódio do sonho vem carregado de feras e demônios, queremos fugir. Quando abrimos os olhos e vemos o ventilador girando no teto, suspiramos aliviados. Para efeito de comunicação, dizemos: "Sonhei que o diabo estava me perseguindo", e sentimos alívio por termos escapado das garras do diabo. Mas não é o diabo que foi embora. O diabo nunca entrou no quarto durante a noite e, enquanto você estava tendo aquela experiência medonha com ele, ele também não estava lá. Quando uma pessoa desperta para a iluminação, ela nunca foi um ser senciente, nunca batalhou. A partir de então, ela não precisa se pôr em guarda para impedir que o diabo volte. Quando ela se ilumina, não pode recordar o tempo em que era um ser ignorante. Não é mais preciso meditar. Não há nada a lembrar, porque nada jamais foi esquecido."

                                                                                  Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mingyur Rinpoche envia uma carta de seu retiro

Lapchi


Para a minha amorosa e compassiva mãe, minha família, monastérios e todos os meus alunos,

Devido às bênçãos de todos os lamas, estou com muito boa saúde e não encontrei obstáculos. Tenho praticado em vários locais de retiro remotos.

Mãe, eu quero te assegurar que não há necessidade de se preocupar comigo. Por favor, medite, pratique e faça retiro tanto quanto você puder.

Peço a todos os que vivem nos monastérios que sejam harmoniosos e mantenham a pura disciplina. Por essa razão, sempre escutem, reflitam e meditem, e mantenham sua ligação com a linhagem tanto quanto forem capazes.

Para todos os alunos com quem tenho uma ligação, peço que vocês perseverem, tanto quanto possível, na sua prática de bondade amorosa e compaixão, samatha, vipasyana, ngöndro, etc, e especialmente se vocês tiverem tempo, façam retiro tanto quanto puderem, independentemente de quão longo ou curto ele seja. Não se esqueçam de praticar todos os dias de sua vida, fazer amizade com todas as adversidades e acolher tudo o que acontecer no caminho.

Finalmente, como já mencionei, como minha saúde tem sido boa, onde quer que eu vá tenho praticado sem contratempos e minha experiência esta florescendo, por isso não há necessidade de qualquer um de vocês se preocuparem comigo! Do meu lado, irei mantê-los sempre em meu coração e em minhas orações. Logo vamos todos nos encontrar e ficarmos juntos novamente.


Lapchi

Este texto foi respeitosamente escrito por Mingyur Tulku na terra nevada de Lapchi, o lugar santo de prática do grande yogi Milarepa.


Lapchi 

Tradução do tibetano para o inglês de Daniela Labra.

Mingyur Rinpoche está atualmente em um prolongado retiro solitário no Himalaia. Na verdade, ninguém sabe exatamente onde ele está. Na tradição dos grandes mestres de meditação de tempos passados, ele está vagando livremente sem nenhum plano fixo ou agenda. Seus únicos companheiros são o compromisso inabalável com o caminho para a iluminação e o desejo sincero de beneficiar os outros. Durante todo esse período, ele provavelmente usará seu tempo meditando em cavernas e ermidas em lugares remotos. Enquanto isso, a Comunidade de Meditação Tergar continua a prosperar em sua ausência. Lamas e instrutores Tergar estão oferecendo cursos de meditação e retiros em todo o mundo (inclusive online) e há muitos grupos e centros que continuam seguindo seus ensinamentos. Esperamos que Rinpoche retorne no final de 2014 ou início de 2015.

A carta acima foi recebida em novembro de 2012.


Nota: O texto acima foi postado no Facebook do Grupo Tergar -SP.
As fotos de Lapchi não fazem parte da carta original e apenas ilustram este post, foram encontradas no blog Gomchen 
Mingyur Rinpoche escreveu uma carta a seus alunos quando estava para entrar em retiro, postada aqui no quietamente .

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mantendo a mente tranquila

Sua Santidade Dalai Lama

    "Acreditando você ou não em religião, é muito importante ter uma mente pacífica no instante da morte... Do ponto de vista budista, quer a pessoa que morra creia ou não no renascimento, o seu renascimento existe; assim, uma mente tranquila, ainda que neutra, é essencial no momento da morte. Se a pessoa nã acredita, a leitura do Livro Tibetano dos Mortos pode agitar sua mente... pode produzir aversão e até prejudicá-la em vez de ajudá-la. Todavia, no caso de alguém que é aberto aos ensinamentos, os mantras ou os nomes do Buda podem ajudá-lo a gerar um tipo de conexão, portanto podem ser úteis. É importante levar em conta, sobretudo, a atitude da pessoa que está morrendo."

                                                                                                 Sua Santidade Dalai Lama

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Compaixão sem apego

Chagdud Tulku Rinpoche

"Agora nossa compaixão é preconceituosa e restrita. Achamos que alguns merecem e outros, não. A compaixão que temos por nossa família e amigos, por exemplo, é baseada no apego que temos por eles. Todos, entretanto, por mais desorientados que estejam, merecem nossa compaixão - temos que expandi-la até que, não mais limitada pelo apego, ela envolva todos os seres em todos os tempos."

                                                                                                 Chagdud Tulku Rinpoche

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Getse Rinpoche

 Katog Getse Rinpoche

Dentro da Primeira Escola de Tradução da linhagem Nyingma no Tibet, o Katog Gonpa é um dos principais monastérios mãe. Considerado como a primavera, que é a fonte de um rio, ele tem mais de trezentos monastérios por todo o Tibet. O principal monastério tem cinco grandes mestres reencarnados que o supervisionam e que são chamados "Os Cinco Detentores do Trono Dourado". Destes cinco, Sua Santidade Katog Getse Rinpoche tem sido reconhecido como a quarta encarnação do grande pandita estudioso, o puro sustentáculo de votos e siddha realizado - Wangchug Getse Mahapandita.

Ao longo de sua vida inteira ele tem mantido o estilo de vida de um asceta (tChatral em tibetano), ou seja, aquele que está livre das preocupações mundanas e suas atividades. Por muitos anos, o principal local de residência do Rinpoche tem sido o Monastério Katog Zhichen Bairo Ling em Katmandu, Nepal. Quando ele não está residindo e ensinando lá, viaja de um lugar para outro no Butão, India, Malásia, Estados Unidos e outros países sem um lar definitivo, indo de um retiro solitário na montanha para outro, frequentemente visitando templos e ensinando discípulos onde quer que vá.

Nascido na região de Golog no Tibet, Rinpoche foi reconhecido como um tulku por XVI Karmapa, Jamyang Khyentse Chokyi Lodro e Adzom Gyalsé Rinpoche. Estudou, contemplou e meditou com muitos grandes mestres como S.S. Jigme Phuntsog, Tulku Nyida -neto e linhagem de sangue de Terton Dudjom Lingpa, Katog Moktsa Rinpoche, Khenpo Ngakchung (Ngaga) e o Dalai Lama entre outros. Ele não apenas coloca grande esforço em seu treinamento com esses mestres, mas também viajou para muitos monastérios no Tibet e ensinou o Dharma para muitas pessoas lá, mantendo seu compromisso de se engajar em atividades que beneficiam.

Rinpoche serve como mestre de retiros no Chagdud Katog Ritrod, um centro de retiros do Chagdud Gonpa em Pharping, Nepal, a pedido de Chagdud Tulku Rinpoche.

Em particular, ele tem estado muito próximo de S. S. Dalai Lama e é como seu filho do coração.

Getse Rinpoche esteve no Brasil a convite do Chagdud Gonpa em 2007.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Alívio

Dzigar Kongtrul Rinpoche

"É um alívio quando percebemos que não é o mundo exterior que tem que mudar para que possamos estar em paz, mas é a nossa própria mente que tem que mudar." 

                                                                             Dzigar Kongtrul Rinpoche

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sangyum Kamala

Videos das primeiras atividades de Sangyum Kamala no Ocidente, em setembro de 2012.
Sangyum Kamala é a consorte de Sua Santidade Chatral Sangye Dorje Rinpoche.

Sobre o casamento com S. S. Chatral Rinpoche

Incentivo as mulheres a alcançar seu potencial maximo.

Puja do Fogo.

Conselhos para períodos em retiro.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Phakchok Rinpoche no Brasil

Phakchok Rinpoche


Phakchok Rinpoche está no Brasil para dar ensinamentos.

Amanhã, dia 28, estará no Templo Odsal Ling em Cotia, ensinando sobre o Sutra da Nobre Sabedoria da Passagem. Mais detalhes no site do Odsal Ling.

Dia 29 ele estará em Porto Alegre, onde fará uma palestra com o tema A Chave para uma Vida Significativa. Mais detalhes no blog do Yeshe Ling

Entre os dias 30 de setembro e 06 de outubro, Rinpoche conduzirá um retiro de Mahamudra no Khadro Ling, em Três Coroas, RS. Mais detalhes no site do Chagdud Gonpa Brasil.


Lembrem-se disso!

Padmasambhava, Guru Rinpoche

"Se escorregarem para a preguiça ao tentar alcançar a iluminação insuperável, lembrem-se que a vida de vocês se esgota sem qualquer protelação, portanto não sejam vítimas da indolência! A vida se esvai assim como a noite segue o dia: lembrem-se disso!"
                                                                    
                                                                       Padmasambhava

domingo, 16 de setembro de 2012

Refúgio, antídoto do orgulho

Tulku Pema Wangyal Rinpoche

"O maior milagre que pode acontecer a um ser ao longo de infinitas vidas, é leva-lo a tomar Refúgio nas Três Jóias".



O Refúgio, antídoto do orgulho

Na maior parte do tempo, o orgulho, que nasce e cresce sob a influência da ignorância, leva-nos a sustentar com tenacidade posições sem fundamento real. O orgulho não é de fato a tendência de pensar e de tentar provar que as nossas idéias, mesmo falsas, são as melhores? Se elas o fossem verdadeiramente, isso não seria tão grave. Mas com frequência esse não é o caso, e nós sofremos terrivelmente por não termos sempre razão. Certas formas de orgulho, muito sutis, são difíceis de reconhecer. De uma maneira geral, o orgulho impede-nos de estarmos satisfeitos com aquilo que temos. Esta insatisfação traz consigo sentimentos de insegurança e de angústia crescentes e, para acabar, deixam-nos totalmente desorientados. Assim, a primeira das práticas preliminares é o refúgio, uma técnica de meditação que transforma a nossa propensão de sermos terrivelmente egocêntricos. Para transformar o orgulho em sabedoria libertando-o na natureza absoluta, a prática do refúgio associa visualização, oração, mantras e exercícios físicos.

Em tibetano, refúgio é kyap dro (kyap: refúgio, proteção; dro: ir, tornar-se). Como regra geral, os seres que não se sentem em segurança, vão à procura de proteção. A prática do refúgio dá confiança àquele que a ela se consagra fazendo-o redescobrir a proteção da sua natureza profunda. A aquisição de uma verdadeira confiança interior varre todos os véus que geram o medo e a insegurança.

Uma tal confiança não pode eclodir se não for sob a proteção de um mestre cuidadosamente escolhido: um cego não pode guiar outro cego. Temos necessidade de nos apoiarmos em seres completamente despertos, e isso, até à descoberta do verdadeiro refúgio interior, a natureza de Buda latente em cada um de nós. “Todos os seres possuem o embrião do despertar, e é isso que lhes permite atingir o estado de Buda dizem os ensinamentos”. Ninguém poderá jamais perder este potencial que lhe é natural; só os nossos véus mentais nos impedem de o reconhecer. Todos os treinos têm por fim dissipá-los.

Pode parecer inconcebível que um minúsculo grão guarde uma árvore magnífica, e todavia... Da mesma maneira, todos os seres dispõem do potencial do despertar total. Assim, para acedermos ao refúgio último, o estado de Buda, é necessário que primeiramente nos entreguemos a seres perfeitamente despertos. A prática do Dharma permite a seguir ter uma realização íntima do refúgio. Os ensinamentos tornam-se assim no caminho que leva a bom porto - o despertar perfeito.

Do ponto de vista exterior, é o Buda que é o refúgio inultrapassável. Do ponto de vista interior, o termo buda designa o estado desperto do nosso próprio espírito. O ensinamento, ou Dharma, constitui a via necessária ao desabrochar das qualidades do espírito. Para seguir este caminho, é necessário apoiarmo-nos na Sangha, a comunidade daqueles que conhecem o Dharma.

Podemos dizer assim: ‘’O refúgio absoluto é o estado de Buda, o Dharma é a via, e a Sangha aqueles que nos acompanham na via’’.

O Buda

Em sânscrito, boud significa totalmente desperto do sono da ignorância, dha quer dizer eclosão perfeita da potencialidade fundamental e designa o pleno desabrochar do conhecimento, da sabedoria, da compaixão - em resumo, de todas as qualidades que é possível desenvolver.

Dentro desse contexto, quando falamos de buda, trata-se não somente do Buda histórico chamado Gautama (ou Shâkyamuni), mas também de todos aqueles que atingiram o despertar. Isso situa-se acima do plano universal, bastante além das limitações específicas do Oriente e do Ocidente. Os Budas desvendaram perfeitamente os dois aspectos da omnisciência: eles conhecem todos os fenômenos logo que eles aparecem, e a natureza de todas as coisas tal como ela é. Os seres despertos atualizaram as cinco sabedorias: para eles, os cinco venenos transformaram-se em cinco sabedorias. Tendo libertado tudo o que há a libertar (boud) e realizado tudo o que havia para ser realizado (dha), eles são Budas, despertos.

Na impossibilidade de encontrar tais seres, é possível tomar refúgio no ensinamento que eles deixaram, apoiando-nos naqueles que seguem esta via e o assimilaram.

O Dharma

A palavra dharma tem etimologicamente dez sentidos. Aqui significa aquilo que guia, que leva a um bom caminho indicando aquilo que devemos adotar e rejeitar. O Dharma, também chamado de caminho, inclui todos os ensinamentos que nos chegaram desde Buda até hoje por uma transmissão ininterrupta de mestres.

Existem diferentes níveis de ensinamentos. O ensinamento principal descreve em detalhe como os seres estão mergulhados na ilusão, e a forma pela qual se poderem libertar. A característica dos ensinamentos de Buda é que, pondo-os em prática, traz uma claridade de espírito que mostra a totalidade do caminho e dissipa os obscurecimentos.

Encontramos por todo o mundo uma abundância de ensinamentos religiosos e filosóficos. Alguns têm por efeito aumentar a cólera e as emoções. O Dharma de que falamos aqui possui, ao contrário, o poder de libertar os seres de emoções perturbadoras. Essa é a sua primeira virtude, consequência de ele estar fundamentado na não-violência. O aspecto irado de algumas representações de Budas na iconografia tibetana é puramente simbólica. A espada que o Buda Manjushri brande, por exemplo, representa a sabedoria que corta os obscurecimentos e subjuga as manifestações demoníacas interiores.

A Sangha

Em tibetano, qualificamos a Sangha em duas palavras, rig dreul, expressão que une a sabedoria rig e a liberdade dreul; mais precisamente, a tomada de consciência do nosso potencial e a libertação daquilo que nos afasta dela.

Aquele que consagra a sua vida ao caminho da liberdade faz parte da Sangha. Não podemos considerar como  membro da Sangha uma pessoa que não tem a menor noção do que é a via, nem o menor desejo de dedicar a sua vida a outrem; como, então, apoiarmo-nos numa pessoa tal para atingir a libertação?

A Sangha designa todos aqueles que detêm e vivem os seus ensinamentos e as suas práticas. Esse termo tem  vários níveis de significado, mas traduzimos literalmente por aqueles que inspiram o desejo de seguir o caminho da virtude, os amigos espirituais, o grupo de praticantes, ou de maneira mais geral, todas as pessoas que consagram a sua vida ao socorro e à paz de todos os seres.
O voto do refúgio

Quando fazemos a escolha consciente de tomar refúgio, é melhor escolher o refúgio último. É a melhor maneira de progredir no caminho espiritual.

Entre as Três Jóias; Buda, Dharma e Sangha; alguns dão primazia ao mestre ou ao guia espiritual, uma vez que ele representa os seres despertos sendo a fonte dos ensinamentos. Outros dão mais importância aos ensinamentos, pois eles permitem atingir o despertar. Para outros ainda, o contacto com os companheiros espirituais tem um papel maior. Não existe uma regra absoluta, somos todos diferentes e podemos escolher de acordo com as nossas necessidades e inclinações.

Saibam sobretudo, no momento de tomar refúgio, que a vossa motivação pode ser mais ou menos vasta: podem considerar o triplo refúgio como um barqueiro, indispensável somente para vos fazer chegar à outra margem, ou decidir tomar enquanto vós e todos os seres não estiverem livres do sofrimento e do perigo. Assim cada um toma refúgio pelo tempo que corresponde à medida da sua motivação. De fato, alguns tomam refúgio para se protegerem durante esta vida apenas, e preferem não pensar naquilo que a seguir se passará; outros, com uma abertura de espírito inconcebível, a compaixão imensa, comprometem-se até que todos os seres, sem exceção, tenham atingido o despertar. Definitivamente, cada um é livre de orientar a sua ou as suas vidas de acordo com os seus desejos e capacidades.

A seguir, aquele ou aquela que decidir apoiar-se nas Três Jóias deve saber o que é preciso evitar ou adotar:

Tomando refúgio no Buda, renunciamos a tomar refúgio em seres ou pessoas que não estão ainda perfeitamente despertas, ou de objetos exteriores (árvores, montanhas, sol, etc.).

Tomando refúgio no Dharma, comprometemo-nos a fundamentar pensamentos, palavras e atos na não-violência e a não fazer mal aos outros, bem como a todas as formas de vida em geral.

Tomando refúgio no Sangha, escolhemos evitar associarmo-nos àqueles que perturbam os outros ou que os prejudicam, pelo menos até termos adquirido a capacidade de libertá-los da sua confusão, e comprometemo-nos a cultivar o altruísmo incansavelmente.

A prática do refúgio

Apesar desta prática ser um antídoto eficaz para todas as emoções perturbadoras, a prática do refúgio tem efeitos principalmente sobre o orgulho.

Esta prática recorre a duas abordagens, uma relativa, outra absoluta. No plano relativo, fazemos apelo às técnicas que tomam a luz como suporte da concentração. Visualizando diante de vós uma forma luminosa e vazia de seres despertos, concentrem-se na sua presença e recitem os diferentes mantras e orações ligadas ao refúgio. Podem por exemplo reportar-vos ao texto do refúgio dos Preliminares do Novo Tesouro de Dudjom Rinpoche:

De hoje em diante, e enquanto eu não tiver atingido o coração do despertar,
Tomo refúgio no Lama, no Buda, no Dharma e na Sangha.

A forma elaborada desta prática é acompanhada de prostações. Mantenham a mesma visualização e ofereçam uma prostação para cada recitação da oração.
No plano absoluto, o refúgio consiste em deixar a mente repousar no estado livre de todos os conceitos de sujeito, objeto e ação, experimentando ficar na simplicidade natural da mente. (Aqui o sujeito é aquele que toma refúgio, o objeto aqueles em quem tomamos refúgio, e a ação o fato de tomar refúgio. Este tema será aprofundado em capítulos seguintes).

Vejamos mais precisamente este treino. O princípio é de implicar simultaneamente o corpo, a fala e a mente no processo da purificação. Sentem-se confortavelmente mantendo a coluna vertebral bem direita. Podem juntar as mãos à frente do vosso coração ou pousá-las sobre os joelhos, de acordo com aquilo que melhor vos convier. Na moldura de uma meditação extremamente simplificada, é suficiente concentrar o espírito sobre uma esfera de luz. Com um pouco de treino poderão visualizar no espaço à vossa frente um ser desperto e considerá-lo como a essência de todos os Budas do passado, do presente e do futuro. Se as inquietações ou os pensamentos começarem a desfraldar, apliquem-se simplesmente a afinar os detalhes da visualização. Mantendo quer a visualização, quer o estado de simplicidade, cantem as estrofes do refúgio, recitem mantras e, em casos limites, multipliquem as prostações.

Consoante o nível da prática, uma prostação pode ser considerada como uma homenagem, ou como um meio de se ligar à energia interior. O exercício físico é o seguinte: pomo-nos de pé, os pés unidos, as mãos em botão de lótus diante do coração. Elevando as mãos juntas para levá-las sucessivamente à frente da testa, à garganta e ao coração, abrimo-las seguidamente inclinando-nos para pousá-las no chão ao lado dos nossos joelhos, antes de escorregar para a frente, de maneira a alongarmo-nos completamente. A testa vai tocar o chão entre os braços estendidos, as mãos juntam-se na parte mais elevada do crânio. Levantando-se rapidamente no movimento inverso, tomamos a posição inicial.

Este treino de movimentos reveste-se de um simbolismo muito completo. Os pés unidos representam o equilíbrio das energias solar e lunar que se apoiam sobre a terra, recordando também que o relativo e o absoluto se unem sem conflito. As mãos unidas ao nível do coração - a base das palmas das mãos unidas, as extremidades dos outros dedos tocando-se ligeiramente, os polegares no interior da cavidade - formam um botão de lótus representando a sabedoria (ou a vacuidade) inseparável da compaixão. Aliás, este gesto, ou mudra, leva todas as energias positivas ao coração. Levar as mãos sucessivamente à testa, à garganta e ao coração, exprime a sublimação das energias desviadas do corpo, da palavra e do espírito. Tocar o chão com as mãos, os joelhos e a testa, portanto em cinco pontos, simboliza a libertação dos bloqueios físicos.

É uma prática muito eficaz, uma yoga completa posto em prática especialmente por praticantes que dedicam a maior parte do seu dia à meditação imóvel. Estaríamos muito errados se a puséssemos de parte alegando que ela é muito simples.

A formulação da oração do refúgio é especial para cada conjunto de práticas preliminares. A sua expressão mais breve é:

Namo Boudhâya
Namo Dharmâya
Namo Sanghâya

Isto significa: Homenagem ao Buda, homenagem ao Dharma, homenagem ao Sangha. Quem rende homenagem, e a quem? Visualizem no espaço à vossa frente o objeto do refúgio: um Buda ou uma assembléia de seres despertos, emitindo raios de compaixão e de luz. Em toda a vossa volta, vejam a infinidade de seres do universo a tomarem refúgio convosco: à direita e à esquerda os vossos pai e mãe atuais, que vos deram esse precioso corpo humano, em seguida os vosso familiares e amigos e todos os seres sem exceção.

A prática dos ensinamentos fundamenta-se na não-violência, pelo que devem pôr à vossa frente os vossos inimigos. Serão eles realmente inimigos? Examinem em quê eles vos parecem hostis: o mais frequênte é por causa de uma ligação negativa estabelecida pelo passado que um ser será julgado ameaçador. Na realidade, nada nem ninguém pode ser qualificado como inimigo. Mesmo uma pessoa maldosa não procura fazer mal se não estiver sob a influência do seu próprio sofrimento; ela merece por isso um lugar de eleição nas vossas orações.

Durante a recitação do refúgio, ou durante as prostações, pensem que os raios de luz provenientes dos Budas transmutam todo o sofrimento: esta luz enche e purifica todos os seres, dissipando os bloqueios e os véus ligados ao corpo, à fala e a mente. Ela regenera as vossas forças e protege-vos, evitando que executem atos negativos. Inundando o corpo, a fala e a mente de todos os seres, as suas vagas purificam igualmente a atmosfera e o ambiente.

Pratiquem assim o refúgio durante um certo tempo, mergulhados na oração e na luz. No fim da sessão, considerem que vós mesmos e todos os seres saem purificados. Dissolvendo-se em luz, estes últimos dissolvem-se uns nos outros e fundem-se em vós. Agora, vocês tornam-se luz, para se dissolverem finalmente na forma do ser desperto que, por sua vez, desaparece em luz.

A mente fica no momento presente, aqui e agora, sem seguir os pensamentos do passado, do presente ou do futuro: é a purificação absoluta. É aquilo a que chamamos repousar no estado natural da mente, um estado de frescura e de simplicidade, além de todos os conceitos.

Treinar encontrar esta simplicidade fundamental permite restaurar a confiança na nossa verdadeira natureza. A pulsão do orgulho, essa necessidade de provar a nossa superioridade que não é mais do que um sintoma de falta de confiança em nós, desaparece, completamente liberta dentro do estado da sabedoria equânime.

Conclua cada sessão de prática dedicando os méritos ao despertar de todos os seres.

Tomar refúgio é uma forma de dar de si, uma oferenda. Com o voto do refúgio, comprometemo-nos a consagrar o treino espiritual ao bem de todos; esta resolução suporta a nossa prática e atrai, por intermédio do mestre espiritual, o apoio de todos os seres despertos. Pronunciar formalmente o voto do refúgio e receber um nome espiritual estabelece com efeito uma ligação profunda com a linhagem de transmissão de Buda. Um praticante sente com frequência a necessidade de se comprometer de uma forma tradicional, não porque seria impossível de progredir sem isso, mas simplesmente porque a sua prática recebe muitos benefícios.

Para concluir este capítulo, citarei três estrofes de um ensinamento de um dos meus principais mestres, Dilgo Khyentse Rinpoche:

Para desenvolver a verdadeira confiança
Que varre tendências e véus kármicos
Fazendo-nos reconhecer o nosso despertar inato,
Tomemos apoio no refúgio relativo.

O refúgio absoluto, nosso despertar inato, é o fruto:
A natureza de Buda, presente mas ignorada,
O estado natural de cada ser, de cada coisa.
Ao reconhecer o nosso despertar inato, tomamos refúgio absoluto.

O refúgio absoluto é a verdadeira natureza da mente
Cujo conhecimento imediato tem três aspectos:
A vacuidade, que constitui a sua essência, a luminosidade a sua expressão.
E a sua bondade profunda como uma imensidade onde nada faz obstáculo.

                       
                                                                                         Tulku Pema Wangyal Rinpoche
                                                                                          em “O Cortador de Diamantes”




O Buda da Compaixão


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Preservação da Vida


Karzang Rinpoche e Lama Tenzin Tsundu, do Kathok Gonpa, durante cerimônia para liberação de caranguejos. Praia de Parksville na Ilha de Vancouver, Canadá. Julho de 2009.


Dilgo Khyentse Yangsy liberando caranguejos.

Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Criando expectativa


Trailer do filme "Yangsi"

Retribuindo a bondade

Kalu Rinpoche

"Esses animais, durante numerosas vidas passadas, foram nosso pai e nossa mãe. Nós mesmos gozamos agora - resultado de atos anteriores virtuosos - uma existência dotada de uma certa liberdade e de uma certa tranqüilidade. Se, graças a ela, podemos salvar da morte e do sofrimento animais que nada podem fazer para se proteger, com isso retribuímos a bondade de nossos pais em vida passadas. A supressão de uma única vida leva ao renascimento no inferno durante um kalpa."

                                                                                                Kalu Rinpoche



Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.

domingo, 2 de setembro de 2012

Mostrando nossa gratidão

Sua Santidade Dalai Lama

"O budismo nos ensina a ver todos os seres sencientes como nossas queridas mães e a mostrar nossa gratidão por nossas mães amando todos os seres sencientes."
                        
                                                                          Sua Santidade Dalai Lama



Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Todos querem ser felizes

Patrul Rinpoche


Não há um único ser no samsara, este oceano imenso de sofrimento, que no curso de tempos sem começo não tenha sido nosso pai ou mãe.  Quando eles foram nossos pais, o único pensamento desses seres era nos criar com a maior bondade possível, protegendo-nos com grande amor e dando-nos o melhor de sua própria comida e vestimenta. 

Todos estes seres, que já foram tão bondosos conosco, querem ser felizes, mas eles não têm a menor idéia de como por em prática o que trás a felicidade...

                                                                            Patrul Rinpoche



Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Amor e Compaixão

Padampa Sangye


"Os seres dos seis reinos são seus pais zelosos,
Povo de Tingri: sintam por eles amor e compaixão."
                                    
                                                    Padampa Sangye


Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Desenvolvendo equanimidade

Chagdud Rinpoche e Phuntsog


"Desenvolvemos equanimidade, em primeiro lugar, dando-nos conta de que todos os seres, igualmente, desejam a felicidade. Ninguém quer sofrer.

Em segundo lugar, contemplamos o fato de que todos os seres, em uma ou outra ocasião, ao longo de incontáveis vidas, já foram nossa própria mãe.

O Buda Sakiamuni e outros Budas e bodisatvas, que removeram o barro da natureza cristalina de suas mentes e se tornaram oniscientes, ensinaram que não há um único ser que não tenha sido nossos pais, algo que nós também poderíamos perceber, se assim purificássemos nossa mente.

Cada ser - não importa quão antagônico a nós possa ser agora - já foi tão bondoso e importante para nós quanto nossos pais nessa vida. "

                                                                Chagdud Tulku Rinpoche



Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Amor por todos os seres

Dilgo Khyentse Rinpoche

"Não há um único ser senciente que, durante o curso de nossas vidas passadas, não tenha sido nossa mãe ou nosso pai, e que não tenha nos tratado com enorme bondade.

Ao invés de discriminá-los, então, entre inimigos e amados, deveria ser bem natural que nós tivéssemos o mesmo sentimento de amor por todos os seres, assim como temos pelos nossos pais nesta vida.

                                                                           Dilgo Khyentse Rinpoche


Dilgo Khyentse Yangsi libertando lagosta, em Portland, 2010.


Todos os seres já foram nossos pais.
Lagostas não são alimento.
   

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Trarei benefício e felicidade para todos os seres

Dudjom Rinpoche

"A geração de Bodhichitta ou pensamento iluminado significa que, se agirmos apenas para nós mesmos, não estamos seguindo o caminho do Dharma e nossa iluminação está bloqueada. 

É de máxima importância que geremos o pensamento iluminado, de forma a libertar todos os seres do samsara. Os seres são tão ilimitados quanto o céu. Todos eles foram nossos pais e mães. 

Todos eles sofreram nesse samsara, que todos nós fabricamos a partir do solo do ser. Logo, o pensamento de libertá-los desse sofrimento é realmente muito poderoso. Sem isso, temos o conceito ilusório de que estamos separados de todos os seres.

O pensamento iluminado [nas palavras do voto de Bodhichitta] é: 

"De agora em diante, até que o samsara se esvazie, trarei benefício e felicidade para todos os seres que foram todos minhas mães e pais." 

Do ponto de vista relativo, há seres sencientes a serem liberados, há compaixão a ser gerada e há o "eu", o gerador da compaixão. O meio de gerar e mostrar compaixão é na verdade explicado pelo próprio Buddha Shakyamuni. Assim é a Bodhichitta relativa."

                                                                 Dudjom Rinpoche


Todos os seres já foram nossos pais.
Animais não são alimento.