segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Treinar na Virtude


"Assim, tendo encontrado as liberdades de uma vida humana,
se eu não me treinar na virtude agora,
que tolice maior poderia existir?
Que maior traição poderia eu cometer contra mim?"
                                                     Shantideva

domingo, 30 de outubro de 2011

Não-meditação

Dje Gampopa

"Uma realização espontânea é alcançada
quando se domina o estágio de um único ponto focal;
uma consciência não-dual é alcançada
quando se domina o estágio de não-discriminação;
a inconcebível natureza da mente é realizada
quando se domina o estágio de um único sabor;
a perfeição última é realizada
quando se alcança o estágio de não-meditação."
                                          Gampopa Sönam Rinchen

sábado, 29 de outubro de 2011

Diligência

Rigdzin Jigme Lingpa

"Nem a inteligência, nem o poder,
nem a riqueza, nem a força podem ajudar
alguém sem diligência;
ele é como um barqueiro
em um bote sem remos."

A Grande Dakini de Tsurphu


Este é um retrato da consorte do Décimo-Quinto Karmapa, que era conhecida como A Grande Dakini de Tsurphu. Tulku Urgyen ficou muito impressionado com ela e mais tarde ensinou a sua reencarnação Khandro Rinpoche, que é filha de MinlingTrichen, que foi chefe da escola Nyingma. Khandro Rinpoche também é uma professora incrível, e por ter sido criada e educada na Índia, ela ensina em Inglês. Você pode ler mais sobre ela, bem como verificar o seu programa de ensino em seu Web site.


(fonte: Blazing-Splendor, reproduzido com autorização)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tsog de Throma Nagmo


Tsog de Throma Nagmo, liderado por Garab Dorje Rinpoche, em Bhodigaya na India.
As imagens são do festival que aconteceu em fevereiro de 2011.

domingo, 23 de outubro de 2011

Novidade


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Disciplina pura, mente flexível

Está no ar um site muito bom chamado Oceano do Dharma, a versão em português do Ocean of Dharma, o blog de citações e trechos de livros de Chögyam Trungpa Rinpoche. Entre nos links e confira. Abaixo um dos posts de outubro. Longa Vida ao Oceano do Dharma!


Chögyam Trungpa

Disciplina pura, mente flexível


Pema Chödrön sobre a visão de Chögyam Trungpa sobre o monasticismo no Ocidente:
No início dos anos 80, Trungpa Rinpoche começou a me contar sobre como ele gostaria que um monastério ocidental fosse. Ele disse que deveríamos ter uma disciplina muito pura, e me lembro dele me dizendo: “Sabe, todos eles vão estar olhando para você. Eles vão observar o modo como você anda, o jeito que você fala, e o modo como você se conduz. Então é melhor você fazer isso direito!”. Fazer isso direito significava ser muito pura na minha preservação da vinaya, o código monástico de conduta, mas ao mesmo tempo, ser extremamente flexível e aberta em minha mente.
Fonte: Pema Chödrön em A Pure Monastic Tradition in the WestRecalling Chögyam Trungpa páginas 245 e 246.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Façam as Práticas Imediatamente"

Dilgo Khyentse Rinpoche

"Você pode estar semeando a terra, cuidando dos negócios, planejando se casar, como posso saber? Sua vida diminui a cada passo e você corre risco de cair na armadilha da morte. Não sobrecarreguem a mente com preocupações banais e não adiem por muito mais tempo a prática do dharma: se sentirem vontade de fazer as práticas de dia, pratiquem de dia; se a vontade ocorrer à noite, pratiquem de noite! Não importa qual seja o lugar e a hora, façam as práticas imediatamente!"
                                                                           Dilgo Khyentse Rinpoche 
                                                           em "Os Cem Conselhos de Padampa Sangyé"

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Base do Dharma

Kalu Rinpoche na Stupa de Boudhanath no Nepal

"Quando falamos do Dharma do Buda, do que se trata fundamentalmente? O Dharma oferece-nos o que é benéfico espiritualmente. Em primeiro lugar, é necessário ter uma atitude de amor, de compaixão, dirigida para o bem do outro. Sobre esta base, é preciso, em seguida, compreender o que é a mente, o motor da atividade mental. Como ela é? O que é ela? Quando, pela meditação, começamos a ter uma idéia de sua natureza, ganhamos um certo controle sobre o mental, o que permite desviar-nos do samsara e ingressar no caminho da liberação."
                                                                               Kalu Rinpoche em "Budismo Vivo"

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Meditação e Transformação da Mente


Em sua segunda passagem pelo Brasil, Sua Santidade o Dalai Lama falou sobre meditação e transformação da mente. Ao final dos ensinamentos uma sessão de meditação silenciosa.

O Verdadeiro Significado da Vida


O Verdadeiro Significado da Vida

                                                        "Nós somos visitantes neste planeta.
Estamos aqui por noventa ou cem anos no máximo.
Durante esse período, temos de tentar fazer algo bom, algo útil com nossas vidas.
Se você contribuir para a felicidade de outras pessoas, você vai encontrar o verdadeiro objetivo, o verdadeiro significado da vida."

Sua Santidade o 14 º Dalai Lama

Monastério Kopan no Nepal


Imagens do Monastério Kopan, localizado perto de Boudhanath, nos arredores de Kathmandu, no Nepal.
Foi criado em 1969 por Lama Thubten Yeshe e Lama Thubten Zopa Rinpoche.
As imagens são de novembro de 2010.

Um passeio por Yolmo


Um passeio por Yolmo no Nepal, infelizmente sem legendas, através de imagens que mostram o povo e os lugares especiais desta preciosa região.
Saiba mais sobre o lugar no post Yolmo (Helambu)

domingo, 16 de outubro de 2011

Desenvolvendo hábitos saudáveis

Chagdud Tulku Rinpoche

"Quando começamos a praticar, concentramo-nos em aprender a distinção entre virtude e desvirtude. Ao nos conscientizarmos do predomínio das desvirtudes em nossa mente, passamos a evitar a negatividade. A concentração contínua na virtude nos permite desenvolver hábitos saudáveis em nossas ações, fala e pensamentos. Por fim, quando conseguimos descansar sem esforço no reconhecimento da nossa verdadeira natureza, isso se torna a nossa prática principal. Nesse contexto, percebemos que os fenômenos surgem como o arco-íris ou as nuvens, ou como o Sol e a Lua que nascem e se põem na vastidão do céu sem que este jamais se modifique. Descansamos com clareza e ciência na natureza da mente, que é como o céu."
                                                        Chagdud Tulku Rinpoche em "Para Abrir o Coração"(Editora Makara)

sábado, 15 de outubro de 2011

Que história é essa de natureza da mente?

Patrul Rinpoche
                                      
Nyoshul Lungtok se queixou a Patrul Rinpoche, “Que história é essa de natureza da mente? Eu não estou entendo isso.”
Patrul Rinpoche disse, “Ah, isso é fácil. Venha comigo. À noite.”
Havia como que um prado perto do monastério de Dzogchen. Eles foram até lá.
Patrul Rinpoche disse, “Vamos deitar aqui, de costas, olhando para o céu.”
E Nyoshul Lungtok fez isso.
Nyoshul Lungtok

Patrul Rinpoche perguntou, “Você consegue ver as estrelas?”

E Nyoshul Lungtok disse, “Sim.”
Patrul Rinpoche disse, “Você consegue ouvir o latido dos cachorros?”
A resposta foi, “Sim.”
Patrul Rinpoche disse, “Então, é isso aí. Essa é a natureza da mente.” E Patrul Rinpoche foi embora.
A partir daí uma grande mudança aconteceu na vida de Nyoshul Lungtok. Uma mudança. Especialmente durante os dias que se seguiram imediatamente, houve essa mudança de ponto de vista muito forte dele.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quatro linhas de aconselhamento


Quatro linhas de aconselhamento
por Kyabje Trulshik Rinpoche

"Meditem sobre o amor e a compaixão para com aqueles que estão sofrendo.
Regozijem-se por aqueles que têm paz e felicidade.
Rezem ao Lama - não se distraiam com outras coisas.
Mantenham a atenção, a natureza intrínseca da mente – observe a sua mente presente."

Estas quatro linhas de aconselhamento foram escritas na Gruta de Maratika, para seus amigos e discípulos por Kabje Trulshik Rinpoche, a pedido de Tulku Pema Wangyal Rinpoche. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Ensinamento do Buda


"De forma alguma cometa a não-virtude;
pratique a virtude inteiramente;
dome totalmente a sua própria mente
- esse é o ensinamento do Buda"

domingo, 9 de outubro de 2011

Carta de Yongey Mingyur Rinpoche ao entrar em Retiro


Queridos amigos, estudantes e praticantes de meditação, quando vocês lerem esta carta, eu já terei iniciado o meu longo retiro que eu anunciei no ano passado.  Como vocês devem saber, eu sinto uma muito forte conexão com a tradição de estar em retirar desde que eu era um rapazinho crescendo nos Himalaias. Mesmo quando eu ainda não sabia como realmente meditar, costumava fugir de casa para uma caverna próxima, onde me sentava em silêncio e cantava continuamente o mantra "om mani peme hung" presente na minha mente.  O meu amor pelas montanhas e pela vida simples de um meditador vagueando, sempre me atraiu desde sempre.

Assim foi até que estando eu no inicio da minha adolescência, tive a minha primeira oportunidade de fazer um retiro formal. Até aquela época, eu morava em Nagi Gompa, uma pequena ermida, nos arredores de Kathmandu.  Foi ali que meu pai, Tulku Urgyen Rinpoche, primeiro me ensinou como meditar.  Depois de treinar durante alguns anos com meu pai, ouvi dizer que um tradicional retiro de três anos estava programado para começar em Sherab Ling, no mosteiro de Kenting Tai Situ Rinpoche na Índia. 

Apesar de eu ter apenas 11 anos de idade, eu implorei a meu pai para me deixar ir.  Ele estava feliz por ver o meu entusiasmo, já que ele mesmo havia ficado em retiro por mais de 20 anos ao longo de sua vida.  Quando falamos sobre a idéia de eu ir fazer um retiro, rigorosamente tradicional, ele me falou sobre o grande yogi Milarepa e de como o seu exemplo como praticante foi importante para gerações de meditadores do budismo tibetano.

O início da vida de Milarepa foi cheio de miséria e sofrimento.  Apesar de todo o mau karma que ele criou quando jovem, ele finalmente superou seu passado tenebroso e atingiu a iluminação completa vivendo isolado em cavernas nas profundezas das montanhas.  Uma vez que ele tinha atingido a iluminação, Milarepa pensou que não haveria mais necessidade de continuar nas montanhas.  Ele decidiu levar a sua mente mais para baixo, para as áreas mais povoadas, onde ele poderia ajudar diretamente a aliviar o sofrimento dos outros. Uma noite, não muito tempo depois ele decidir partir, Milarepa teve um sonho com o seu mestre Marpa.  No sonho, Marpa encorajou-o a ficar em retiro, dizendo-lhe que através de seu exemplo, ele tocaria e ajudaria a vida de incontáveis pessoas.

Depois de me falar sobre a vida notável de Milarepa, meu pai disse, "As profecias de Marpa vieram a acontecer.  Apesar de Milarepa ter passado a maior parte de sua vida vivendo em cavernas remotas, milhões de pessoas foram inspiradas pelo seu exemplo de vida ao longo de séculos. Ao demonstrar a importância de praticar em retiro, ele influenciou toda a tradição do budismo tibetano. Milhares e milhares de meditadores têm manifestado as qualidades da iluminação devido à sua dedicação e exemplo."

Alguns anos mais tarde, durante o meu primeiro retiro de três anos, eu tive a sorte de estudar com outro grande mestre, Saljey Rinpoche. No meio do terceiro ano de retiro, eu e alguns dos meus companheiros retirantes aproximamo-nos de Rinpoche para pedir os seus conselhos. Tivemos enorme benefício derivado do retiro e perguntamos-lhe como poderíamos ajudar a manter esta preciosa linhagem. "Praticando!" respondeu Saljey Rinpoche, "Eu estive em retiro quase a metade da minha vida. Esta é a forma genuína de ajudar os outros. Se vocês quiserem preservar a linhagem, transformem vossas mentes. Vocês não vão encontrar a verdadeira linhagem em qualquer outro lugar."

Os ensinamentos e o exemplo de meu pai e Rinpoche Saljey inspiraram-me profundamente. Esta inspiração, juntamente com o meu próprio desejo natural para a prática em retiro, tem sido uma luz guia durante toda a minha vida.

Quando meu primeiro retiro formal terminou, Saljey Rinpoche faleceu e Tai Situ Rinpoche pediu-me para tomar o seu lugar como mestre de retiro. Aceitei o meu novo papel e fui liderando retiros de meditação e ensinamentos durante mais de 20 anos. Em particular, nos últimos dez anos tenho passado a maior parte do tempo ensinando ao redor do mundo. Eu tenho estado em mais de trinta países, partilhando a minha experiência de superar os ataques de pânico que experimentei quando criança e transmitindo os ensinamentos que meus mestres me foi confiaram. Ao longo dos anos, eu vi e constatei a verdade das palavras do meu pai e de Saljey Rinpoche.  Pois ambos me ensinaram, que a experiência adquirida em retiro é uma ferramenta poderosa para ajudar os outros.

Nos meus primeiros anos, eu treinei bastante em diferentes maneiras. O tempo que passei com meu pai incluiu rigorosa meditação, mas não era um retiro estrito, no sentido de eu conhecer outras pessoas e poder ir e vir livremente. Meu retiro de três anos em Sherab Ling Monastery, por outro lado, foi mantido em isolamento completo. Um pequeno grupo de nós vivia em uma área fechada e não tinha qualquer contato com o mundo exterior, até o retiro terminar. Estas são duas formas de prática, mas não são as únicas maneiras. Como foi demonstrado pelo grande yogi Milarepa, há também uma tradição de peregrinação de lugar para lugar, ficando em cavernas remotas e locais sagrados, sem planos ou agenda fixa, apenas com um compromisso inabalável no caminho do despertar. Este é o tipo de retiro que eu vou estar praticando ao longo dos próximos anos.

Esta tradição não é muito comum nos dias de hoje. Meu terceiro principal Mestre, o grande yogi Dzogchen Nyoshül Khen Rinpoche, foi um dos poucos mestres que recentemente práticou desta forma. Khen Rinpoche praticou em retiros fechados quando era mais jovem, mas depois assumiu a vida de um yogi vagueando. Ele deixou cair por completo a sua vida normal e atividades. Ninguém sabia onde estava ou o que ele estava fazendo. Ele passou tempo meditando em cavernas isoladas e outros locais onde os grandes mestres do passado, como Milarepa e Longchenpa, haviam praticado, e em determinado momento ele mesmo viveu entre os sadhus hindus da Índia. Sua história é um exemplo perfeito de um moderno yogi despreocupado.

Mais recentemente, Tai Situ Rinpoche, o último dos meus quatro principais Mestres, falou sobre a meditação em retiros de montanha durante um ensinamento que ele deu em 2009. Durante mais de quatro meses, Rinpoche passou a linhagem de um importante texto de meditação chamado “O  Oceano do verdadeiro significado ”. Este é um dos principais manuais de instrução utilizados pelos praticantes de meditação da linhagem Kagyu. Menciono meus professores aqui, porque a sua sabedoria e compaixão tem alimentado o meu desejo de fazer do retiro o ponto focal da minha vida. Meu pai e Saljey Rinpoche encorajaram e apoiaram as minhas primeiras experiências em retiro, enquanto Nyoshül Khen Rinpoche e Tai Situ Rinpoche me inspiraram a seguir o caminho de um yogi vagueando. Como um vagalume minúsculo no meio do esplendor do sol, eu nunca posso esperar comparar-me com os meus preciosos Mestres, mas sem o seu exemplo e inspiração, eu não teria seguido este caminho.

Vocês poderão pensar que enquanto eu estiver em retiro nós não seremos capazes de ficar ligados uns aos outros. Claro, não seremos capazes de vermos um ao outro por alguns anos, mas não se esqueçam que a nossa conexão é através do Dharma. Não é simplesmente vendo os nossos Mestres, ou mesmo ouvindo-os, que criamos um vínculo espiritual. É quando tomamos os ensinamentos que temos recebido e os colocamos em nossa própria experiência que uma conexão inabalável é formada. Quanto mais praticamos, mais forte o vínculo com o nosso Mestre se torna.

Três dos meus quatro professores já há muito faleceram. Às vezes, eu me lembro como era estar com eles e ouvi-los ensinar. Lembro-me como alegre e leve eles eram, e como eles se comportavam com tanta dignidade e liberdade. Estas memórias fazem-me um pouco triste, mas quando me lembro do que eles me ensinaram e deixaram a sua sabedoria encher meu ser, eu posso sentir a sua presença em qualquer lugar e em qualquer hora. Assim, enquanto você e eu poderemos nos separar fisicamente ao longo dos próximos anos, através da nossa prática nós estaremos sempre juntos.

Eu sinto uma grande sensação de carinho e amor quando penso em todos vocês, como sendo uma grande família. Então não se preocupem, eu não estou tendo uma crise de meia-vida. Eu não vou para retiro porque estou cansado de viajar, ou doente de ensinar discípulos. Na verdade, é exatamente o oposto. Durante esse tempo, nossa prática nos aproximará.

Há momentos em nossas vidas quando nos concentramos em aprender e estudar, e outros onde levamos o que aprendemos e os trazemos profundamente para nossa experiência. Esses são os processos que cada um de nós cruzamos individualmente, mas ter o apoio de uma comunidade pode ser uma grande ajuda quando seguimos o caminho. Tem sido maravilhoso ver como muitos de vocês se uniram nos últimos anos para ajudar a formar e moldar a nossa crescente comunidade. Embora eu tenha ajudado e apoiado a comunidade através dos meus ensinamentos, a própria comunidade são vocês próprios. Ela está lá para apoiá-lo no caminho do despertar, e será o seu empenho e apoio que permitirão o florescimento da comunidade nos próximos anos. Recebendo apoio e orientação da comunidade, e retribuindo da maneira que pudermos, isso é parte integrante da jornada.

Para ajudá-lo a continuar o caminho, eu preparei muitos ensinamentos ao longo dos últimos anos, que serão entregues por minhas emanações. Estas emanações podem aparecer magicamente em qualquer lugar e vai ensinar-vos apenas aquilo que precisam para aprofundar a sua prática. Do que é que eu estou falando? Tecnologia moderna é claro! Nós gravamos centenas de horas de ensinamentos sobre uma vasta gama de tópicos, e estes ensinamentos serão disponibilizados nos próximos anos. Alguns vão ser usados para cursos on-line e seminários, outras serão mostrados em centros Tergar e grupos, e alguns vão estar livremente disponíveis online. Em alguns aspectos, emanações minhas em vídeo são melhores do que meu verdadeiro eu. Você não terá que alimentá-los ou colocá-los em um hotel. Eles vão esperar pacientemente até que você esteja pronto para eles. E o mais importante, eles não vão se sentir mal se você ficar entediado e desligá-los!

Não pensam erradamente que o seu leitor de DVD vai ser o seu novo guru raiz. Ensinamentos gravados nunca podem tomar o lugar de uma transmissão direta de Mestre para aluno. O que eu estou tentando dizer é que ainda haverá muitas oportunidades de estudo e prática, especialmente para aqueles que estão seguindo os programas “A Alegria de Viver” e “O Caminho da Libertação”. Há também outros lamas maravilhosos com quem estudar, como Sua Santidade o Karmapa Orgyen Trinley Dorje, e meu professor Tai Situ Rinpoche. Meu irmão, Tsoknyi Rinpoche, também é um excelente professor e concordou em orientar a comunidade Tergar enquanto eu estiver fora. Finalmente, temos os nossos próprios lamas Tergar e instrutores que irão liderar retiros e workshops em todo o mundo. Na verdade, haverá tanto a acontecer, que talvez você nem perceba que eu fui embora!

Na despedida, eu gostaria de dar-lhes um pequeno conselho para conservar em seu coração. Você até poderá dizer que ouviu eu dizer isto antes, mas é o ponto-chave de todo o caminho, por isso vale a pena repetir: Tudo o que estamos procurando na vida - toda a felicidade, contentamento e paz de espírito - está aqui mesmo no momento presente. Nossa própria consciência. fundamentalmente pura e boa. O nosso único problema é que ficamos tão envolvidos nos altos e baixos da vida que não temos tempo para fazer uma pausa e observar aquilo que já temos.

Não se esqueça de abrir espaço em sua vida para reconhecer a riqueza de sua natureza básica, para ver a pureza do seu ser e deixar que as suas qualidades inatas de amor, compaixão e sabedoria naturalmente surjam. Nutram esse reconhecimento como se fosse uma pequena semente. Permitam que ela cresça e floresça.

Muitos de vocês têm generosamente perguntado como poderiam ajudar a apoiar o meu retiro. Minha resposta é simples: Manter este ensinamento no coração da vossa prática. Onde quer que você esteja e o que quer que esteja fazendo, faça uma pausa de vez em quando e relaxe a mente. Você não tem que mudar nenhuma coisa sobre a sua experiência. Você pode deixar os pensamentos e sentimentos ir e vir livremente, e deixar os seus sentidos bem abertos. Faça amigos com sua experiência e veja se você pode notar o espaço da atenção plena que estará com você o tempo todo. Tudo o que você sempre quis está aqui neste momento presente de consciência.

Eu irei mantê-lo em meu coração e em minhas orações.

no Dharma,

Yongey Mingyur Rinpoche

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Autobiografia em Cinco Capítulos



“Autobiografia em Cinco Capítulos”  
Poema de Nyoshul Khenpo

Capítulo I
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido...sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo uma eternidade para encontrar a saída.

Capítulo II
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada,
mas, finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

Capítulo III
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele alí está
Ainda assim caio...é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
A responsabilidade é toda minha!
Saio imediatamente.

Capítulo IV
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

Capítulo V
Ando por outra rua.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Natureza Búdica


"Palavra alguma pode descrevê-la
Exemplo algum pode indicá-la
O samsara não pode fazê-la pior
O Nirvana não pode fazê-la melhor
Ela jamais nasceu
Ela jamais acabou
Ela jamais foi liberada
Ela jamais se enganou
Ela jamais existiu
Ela jamais inexistiu
Ela não tem limite algum
E não pode ser contida em categorias."
                                         Sua Santidade Dudjom Rinpoche

A verdadeira amizade


"Mais cedo ou mais tarde, seremos obrigados a separar-nos dos amigos queridos. Contudo, temos uma amiga que nunca nos abandonará, mesmo que a maioria dos seres ignore a sua existência: a natureza búdica. Começamos a nos aproximar dela ao escutarmos os ensinamentos de um mestre; depois, fortalecemos nossos vínculos à medida que cultivamos a tranquilidade mental e uma visão penetrante da realidade; por fim, descobrimos que ela sempre esteve e sempre estará do nosso lado. Esta é a amizade mais verdadeira que se pode cultivar."
                                                               Dilgo Khyentse Rinpoche