quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Suave sorriso




"Uma vez que você obtém a Visão, embora as percepções ilusórias do samsara possam surgir na sua mente, você será como o céu: não fica particularmente lisonjeado quando surge nele o arco-íris, nem particularmente desapontado quando as nuvens o encobrem. Há uma profunda sensação de contentamento. Você ri por dentro quando vê a fachada do samsara e do nirvana; a Visão o manterá constantemente maravilhado com um suave sorriso interior se esboçando, todo o tempo."
                                                                                                             Dilgo Khyentse Rinpoche


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Voltando a atenção



A natureza de tudo é ilusória e efêmera,
Os que percebem de forma dualista vêem o sofrimento como felicidade,
Como aqueles que lambem o mel que está no fio de uma navalha.
Como são lastimáveis os que se aferram à realidade concreta:
Voltem sua atenção para dentro, amigos do coração.
                                                                                         Nyoshul Khenpo

Luz radiante


"Tendo purificado a grande ilusão, que é o lado escuro do coração, a luz radiante do sol não-obscurecido nascerá continuamente".
                                                                     Dudjom Rinpoche

domingo, 21 de agosto de 2011

Devolvendo a liberdade



     Kalu Rinpoche tinha uma grande afeição pelos animais. Ele gostava muito de visitar os zoológicos e recitar mantras para os animais enjaulados. Gostava também de lhes devolver a liberdade. Ele o fazia cada vez que podia, resgatando, mais especialmente, centenas, milhares de peixes, que comprava no mercado de Siliguri, a grande cidade na planície abaixo de Sonada, em Benares ou em outros locais. Durante suas estadas em Hong Kong e em Taiwan, resgatava um grande número de peixes, de moluscos, de crustáceos, de tartarugas e de pássaros. Desejando que essa prática fosse estabelecida regularmente, fundou uma associação encarregada de coletar fundos e organizar cada mês a soltura de animais. O texto que segue é uma carta escrita nessa ocasião.   

 "Aos benfeitores e discípulos de Taiwan que tem fé e devoção:
     Todos os seres, quaisquer que sejam, consideram seu corpo e sua vida muito caros e lhes são muito apegados; daí surgem as dores, os medos e os sofrimentos. Caso nos trespassassem, nos batessem e nos dessem pancadas para nos matar, qual não seria nossa angústia e nossos sofrimentos! Os animais não nos fazem nenhum mal; entretanto, nós nos apoderamos deles contra sua vontade, nós lhes infligimos insuportáveis sofrimentos físicos e nós lhe tomamos a vida.
     Esses animais, durante numerosas vidas passadas, foram nosso pai e nossa mãe. Nós mesmos gozamos agora - resultado de atos anteriores virtuosos - uma existência dotada de uma certa liberdade e de uma certa tranquilidade. Se, graças a ela, podemos salvar da morte e do sofrimento animais que nada podem fazer para se proteger, com isso retribuímos a bondade de nossos pais em vidas passadas. A supressão de uma única vida leva ao renascimento no inferno durante um kalpa. Em seguida, quinhentas vezes nossa vida será tomada de volta; enfim, no curso de numerosas existências teremos um corpo feio e miserável e contínuas ameaças pesarão sobre nossa vida. Em contrapartida, salvar um único ser da morte e do sofrimento leva, durante centenas de vidas, ao renascimento como deva ou homem dotado de boas condições de existência; teremos uma vida longa, boa saúde, abundância de bens, perfeitas felicidade e tranquilidade. Se, mais particularmente, dermos substâncias sagradas que liberam pelo paladar aos animais, areia que libera pelo contato, e se recitarmos para eles os nomes dos Budas e mantras, onde quer que nasçamos teremos uma vida longa, beleza física, voz agradável, grande sabedoria, riqueza e companhia de bons amigos; nossos desejos serão atendidos, nasceremos em um país agradável, estaremos livres de todas as ameaças e encontraremos o dharma; no momento da morte, não experimentaremos os sofrimentos da agonia, nunca cairemos nos mundos inferiores, viveremos em harmonia com todos e renasceremos finalmente no Campo de Beatitude. Os benefícios são ilimitados já que levam, numa perspectiva última, ao Despertar. Tudo isso foi explicado pelo próprio Buda.
     Assim, quando com fé e grande compaixão, fazemos aos animais sem proteção nem recursos, aos pássaros, aos passarinhos, aos peixes, às tartarugas e a todas as espécies de animais minúsculos ou grandes, os quatro tipos de dons - dom do dharma, dom do amor, dom de bens materiais e dom da segurança -, e quando ao mesmo tempo só lhes desejamos o bem, não estaremos fazendo um benefício apenas para eles, mas para nós mesmos, que obteremos nesta própria vida, longevidade, saúde, riqueza e ausência de adversidade; em todas nossas vidas futuras, obteremos esses mesmos benefícios que proporcionamos aos outros.
     É inútil ter esperanças ou dúvidas quanto a isso, já que a lei do karma é inelutável. Eu lhes peço, portanto, para tomar parte nesta prática virtuosa, de onde retirarão, para vocês mesmos e para os outros, temporariamente e definitivamente, benefícios e felicidade, filiando-se a associação "Tirar dos mundos inferiores" e trabalhando com ela."
                                                                   Kalu Rinpoche - Taipei, 23 de abril de 1986 

sábado, 20 de agosto de 2011

Oportunidade Incomparável

Chagdud Tulku Rinpoche no Pico do Abutre, India

    "Algumas vezes, as pessoas deixam de se dar conta da oportunidade incomparável que têm, porque suas vidas são decepcionantes ou muito exigentes, e elas perdem interesse em fazer uso de suas capacidades humanas. Isso é um grave erro. As oportunidades que este corpo oferece, neste exato momento, são grandes demais para deixarmos passar por causa de decepções ou dificuldades."

    "Este corpo humano é um veículo raro, e nós precisamos usá-lo bem, sem demora. A finalidade mais elevada de um nascimento humano precioso é o progresso espiritual. Se não formos capazes de cobrir grandes distâncias, pelo menos podemos fazer algum avanço; ainda melhor, podemos ajudar os outros a progredir. Como mínimo dos mínimos, não devemos fazer os outros sofrer."

Chagdud Tulku Rinpoche em "Portões da Prática Budista"


Afinando a meditação



    Há uma história sobre o Buda em que se conta como ele, de uma feita, transmitiu ensinamento a um famoso tocador de cítara que desejava estudar meditação. Perguntou o músico: 

    Devo controlar minha mente ou devo deixá-la completamemnte solta? 

    O Buda respondeu:

    Visto que você é um grande músico, diga-me como afinaria as cordas do seu instrumento.

    Disse o músico:

    Eu não as deixaria ficar nem demasiado retesadas nem demasiado frouxas.

    Então o Buda ensinou:

    Da mesma forma, na sua prática da meditação você não deve impor nada com demasiada força à sua mente, nem deve permitir que fique ao léu.

"Eis aí o ensinamento de como deixar a mente ser de um modo bastante aberto, de como sentir o fluxo da energia sem tentar sujeitá-lo e sem dexar que ele se descontrole, de como acompanhar o padrão da energia da mente. Essa é a prática da meditação." completa Chogyan Trungpa



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Akhyuk Rinpoche 1927 - 2011



    Lama Akhyuk Rinpoche, também conhecido como Khenpo Achuk, Jamyang Lungtok Gyaltsen ou Drubwang Lungtok Gyatso, nasceu em Trom, no Tibet Oriental. Ele entrou para o Monastério Trom Dokhol, onde foi ordenado aos 15 anos, e serviu professores das linhagens Sakya, Nyingma e Gelug. Recebeu o ciclo Lamdré, ensinamentos Sakya, de Dezhung Ajam Kunga Gyaltsen. Mais tarde foi estudar com Tromge Arik Rinpoche, um aluno de Khenpo Ngawang Palzang, e o serviu por 33 anos. Durante a ocupação militar do Tibet, Lama Akhyuk se tornou o atendente de seu guru, passando grande dificuldade sem levar em conta sua própria saúde ou vida, e assim provando ser um filho do coração ideal. Arik Rinpoche o nomeou como detentor de sua linhagem, conferindo a ele todos os conselhos e instruções do ciclo Lamdré e Dzogchen.

    Uma vez que as restrições à prática budista foram suavizadas, Akhyuk Rinpoche começou a ensinar muito, instruindo um grande número de monges e leigos. Lama Akhyuk Rinpoche foi um grande expoente do Dzogchen, os ensinamentos da Grande Perfeição.

    Após passar décadas em retiro com Arik Rinpoche, ele estabeleceu o Yachen Orgyen Samten Chöling, também conhecido como Yachen Gar, um acampamento para milhares de monges, monjas e praticantes leigos, em um vale isolado perto de Kandze, na Provincia de Sichuan na China. Este assentamento fornece aos alunos uma oportunidade de receber uma educação budista abrangente. Lama Akhyuk ensinou regularmente neste centro.

    Em conjunto com Jigme Phuntsok Rinpoche, ele revitalizou o estudo e a prática do budismo tibetano no Tibet Oriental. Com a morte de Jigme Phuntsok Rinpoche em 2004, Akhyuk Rinpoche era considerado o mais velho professor da tradição nyingma residente no Tibet.

    Akhyuk Rinpoche faleceu em 23 de julho de 2011.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

As Ondas da Oceano




A discípula Peldarbum disse a Milarepa:
  
  Minha mente meditou sobre o oceano
  E sentiu-se livre;
  Minha mente meditou sobre as ondas
  E sentiu-se perturbada.
  Ensina-me a meditar sobre as ondas.

O grande iogue respondeu:

  As Ondas são o movimento do oceano,
  Deixe que elas se desfaçam no oceano sem ondas.