domingo, 26 de fevereiro de 2012

Uma foto


como a fantasia de um sonho


    Em sua jornada, ouviu falar do desgosto de seu pai, muito pungente depois de seis anos, e seu coração gentil foi afetado pelo amor intensificado. "Porém", falou ele ao portador da notícia, "é tudo como a fantasia de um sonho, retornando ao nada rapidamente... Amor de família, sempre prendendo, sempre afrouxando; quem lamenta tais separações constantes o bastante? Todas as coisas que existem devem perecer com o tempo... Então, como a morte permeia o tempo todo, livre-se da morte, e o tempo desaparecerá...

                                                                                                   Jack Kerouac
                                                                          em "Despertar: uma vida de Buda", da L&PM

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Verdadeira "Era das Trevas"


Por Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche 
 30 de janeiro de 2012
Himachal Pradesh, India


Algumas pessoas dizem que a era das trevas, a era do vício – kaliyuga (o último dos quatro estágios que o mundo atravessará como parte do ciclo dos yugas descritos nas escrituras indianas), está acontecendo agora, ou no mínimo, se iniciará em breve. Alguns até mesmo temem que no final de 2012, o mundo do modo como o conhecemos, irá terminar.

Mas, o que determina se uma era é das trevas ou de ouro? Quais os sintomas e sinais? Terremotos, um céu púrpura, atividades meteóricas, estes não são presságios do juízo final, como nos fizeram crer.

Do mesmo modo, querubins voando, uma economia proeminente, liberdade de informação e tempos pacíficos não são necessariamente sinais de uma era de ouro.

A era de ouro ocorre quando as pessoas valorizam sentimentos como a empatia e o perdão, quando têm disposição para compreender o ponto de vista dos outros e se sentem contentes com o que possuem.

Quando tais valores são sistematicamente sabotados, então se pode dizer que o amanhecer do dia do juízo final já começou. Quando olhamos um mendigo inofensivo como sendo uma praga e invejamos os bilionários que destroem o planeta estamos contribuindo para o início do fim.

Como o Buda ensinou, tudo depende de causas e condições. Eras das trevas e eras de ouro não são uma exceção. Elas não são predestinadas, nem imprevisíveis ou caóticas.

O destino é algo condicionado. Nosso próprio “eu” determina tais causas e condições. Você pode criar seu destino, suas escolhas são o seu destino. Aquilo que somos e como somos nesse momento depende daquilo que fizemos no passado. E o que seremos no futuro depende do que somos e como somos agora.

Sakyamuni com seus pés de lótus, pode aproximar-se da sua porta e oferecer sua tigela, mas se continuarmos obcecados por relógios Patek Philipe, fama e amigos, ou por um abdômen malhado, então a verdade do Buda irá nos incomodar, se tornará uma verdade inconveniente.

Muito embora possamos estar no meio da Kaliyuga – sujeitos a uma infinidade de causas e condições de uma época de escuridão, facilmente distraídos e presos a pensamentos ligados a nossa própria auto-preservação e aspirando encontrar referenciais em valores materialistas ou consumistas – podemos tirar vantagem dessa situação.

Diz-se que durante os tempos de degenerescência a compaixão dos Budas e dos Bodisatvas se torna ainda mais fortalecida. Alguém espiritualmente capacitado pode tirar proveito dessa situação. A era da escuridão pode ser como um lembrete da urgência e da preciosidade do Buda, do Darma e da Sanga.

Como seres que dependem de condições, temos que buscar a luz, e cultivar as condições que nos tragam luz. Precisamos constantemente nos lembrar do oposto do materialismo. Para isso, precisamos da imagem do Buda, do som do Darma, e da estrutura da Sanga.

Nos últimos anos perdemos algumas das maiores manifestações do Buda, como Kyabje Trulshik Rinpoche, Mindroling Trinchen Rinpoche e Penor Rinpoche, que foram grandes inspirações e lembranças. Mas, embora essas manifestações tenham se dissolvido, tenha em mente que a sua compaixão desconhece o significado das limitações.

Dentro do espírito de onde há uma demanda, há uma oferta, devemos ter aspirações e  anseios de que as manifestações dos Budas e Bodisatvas nunca cessem, e – usando um termo da moda – que seus renascimentos sejam rápidos.

Mas tal renascimento não deve se limitar à figura de uma criança tibetana, criada no interior da tradição e de uma cultura particular. Podemos aspirar que os Budas renasçam de todas formas, mesmo como algo aparentemente tão insignificante como uma brisa, para nos lembrar de valores como amor, compaixão e tolerância.

Devemos gerar um campo magnético para que miríades de manifestações do Buda possam surgir e não apenas tulkus que saltam de trono em trono ou que dirigem um Rolls Royce, produtos muitas vezes de um nepotismo religioso.



Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche, também conhecido como Khyentse Norbu, é um lama butanês, cineasta e escritor. Seus dois filmes mais importantes são A Copa (1999) e Viajantes e Mágicos (2003). Ele é o autor do livro "O Que Faz Você Ser Budista?"

Tradução Brenda Neves. Revisão Letícia Ramos, Miguel Berredo e Carmen Jinpa.

Fonte:  Bodisatva

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mensagem de Ano Novo, Ka-Nying Shedrub Ling

    
Mesmo respeitando um ano de luto pela morte de Kyabje Trulshik Rinpoche, onde tradicionalmente não se comemora o ano novo, os Lamas do Monastério Ka-Nying Shedrub Ling receberam a longa fila de visitantes que ofereceram katags pelo inicio do ano do Dragão de Água. No video abaixo algumas imagens da cerimônia e mensagens do Chokyi Nyima Rinpoche e Phakchok Rinpoche, também presente no video Chokling Rinpoche e Tulku Urgyen Yangsi .


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Losar Tashi Delek

Feliz Losar.
Que o ano do Dragão de Água traga sabedoria a todos.
Que a Paz possa reinar absoluta.
E que todos possam caminhar no sentido da Iluminação.
Feliz Ano Novo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

XVI Karmapa, Rangjung Rigpe Dorje


Entrevista com o XVI Karmapa em sua visita aos Estados Unidos em 1976.
Participação de Jamgon Kongtrul Rinpoche.
Infelizmente sem tradução para o português.

trailer do Filme "Never Give Up" - 17 Karmapa



Um filme sobre o 17 Karmapa, Orgyen Trinley Dorje, o festival Kagyu Monlam e mulheres que por compaixão levam ações sociais a Bodhgaya na Índia, onde o Buda alcançou a iluminação.
Dirigido por Fernanda Rivero e Gritz James

Energia Eletromagnética e Natureza Budica


Lama Dondrup Dorje explicando sobre energia e treinamento da mente.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ajudando os outros

 Chagdud Tulku Rinpoche
 
    Se queremos ajudar os outros a eliminar seus defeitos e desenvolver suas qualidades positivas, precisamos nos assegurar de que, primeiro, nós mesmos estejamos livres de defeitos e dotados de qualidades positivas. Mesmo que não estejamos totalmente isentos de defeitos, mesmo que não tenhamos revelado por inteiro todas as nossas qualidades positivas, devemos, pelo menos, ter purificado a nossa mente o suficiente para ajudar os outros, em vez de simplesmente criticá-los.
    Por isso é tão importante examinarmos a nossa própria mente. Quanto temos um pensamento negativo, ou mesmo um pensamento neutro, -um que não seja particularmente não-virtuoso- , precisamos tentar transformá-lo em virtuoso. Quanto mais redirecionamos a mente, mais sua expressão externa em palavras e ações se torna virtuosa. A raiz de todos os fenômenos do samsara e nirvana está na mente. Os estados mentais virtuosos e não-virtuosos são responsáveis pelo carma que leva ao sofrimento ou à felicidade.
    Se repetidamente examinarmos nossos pensamentos, palavras e ações, e domesticarmos a nossa mente, nossas deficiências começarão a diminuir e nossas qualidades positivas a crescer. Quanto mais se reduzirem nossos defeitos, mais irão se beneficiar as pessoas a nossa volta. Quanto mais forem incrementadas as nossas qualidades positivas, maior será nossa capacidade de ajudar os outros a cultivarem eles próprios essas qualidades.
      
                                                                                          Chagdud Tulku Rinpoche
                                                                      

(fonte: revista Bodistava n# 7, verão de 1994)

Reconhecendo o núcleo

 Dzigar Kongtrul Rinpoche
"O caminho espiritual e prática tem tudo a ver com unir o nosso corpo, mente e emoções e conhecer (tudo isso) desde o núcleo.
Ter um núcleo é saber que não importa o que acontecer você vai ficar bem - mesmo se enfrentar um câncer, falência ou morte, a pessoa tem auto-confiança." 
                                                                                                 Dzigar Kongtrul Rinpoche

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Experiência única

 Dilgo Khyentse Rinpoche

"Esta vida é uma só, enquanto as vidas futuras são incontáveis e não devem ser sacrificadas nesta existência atual pela procura do bem-estar ilusório. Se, dia após dia, negligenciamos a prática espiritual, vamos nos arrepender amargamente no momento da morte, mas então será tarde demais. Será que precisamos esperar até o último instante para fazermos as práticas espirituais? Devemos nos dedicar a elas imediatamente. A experiência que isso nos trará é a única coisa que poderá nos ajudar no momento da morte."
                                                           Dilgo Khyentse Rinpoche

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Kundun de Thinley Norbu Rinpoche chega a Rangjung

Chegada do Kundun de Thinley Norbu Rinpoche a Rangjung, no Butão, onde permaneceu por cinco dias em Rangjoong Woseling Dratshang.






























sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Tesouros perdidos do Tibet


Documentário sobre o Reino de Mustang, fronteira do Nepal com o Tibet, mostrando os templos perdidos da região e a reforma do principal templo por estrangeiros.
O Reino permenaceu fechado a estrangeiros até os anos 90.
Infelizmente sem legendas.

Unmistaken Child


Documentario sobre os quatro anos de procura pela reencarnação de Lama Konchog.
Belas imagens e uma historia que toca o coração.
Infelizmente sem legendas em português e ainda não lançado no Brasil.


Filme sobre Dilgo Khyentse Rinpoche



O Espírito do Tibet, A Vida e o Mundo de Dilgo Khyentse Rinpoche

Filme com legendas em espanhol, infelizmente ainda não lançado no Brasil.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cena final do filme Kundun

Dalai Lama observando o "seu" Tibet do exilio na India.
 


"O Dalai Lama ainda não retornou ao Tibet.
Ele espera um dia fazer essa viagem."

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Shechen Rabjam Rinpoche chega a Paro

Shechen Rabjam Rinpoche, acompanhado de monges e monjas de monastérios Shechen, prestam homenagens ao Kundun de Thinley Norbu Rinpoche, em Paro, Butão.
fotos de Sonam Phuntsho

Dungse Garab Rinpoche e Shechen Rabjam Rinpoche







sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um estado de bem-estar


"O propósito de compreender e praticar o budismo é trazer a experiência da mente totalmente iluminada. Quer dizer, o propósito não é o jogo de palavras, mas sim levar a um estado de bem-estar, à eliminação do sofrimento e da confusão; é ser capaz de beneficiar-se e de trazer todos à iluminação completa."

                                                        Jamgon Kongtrul Rinpoche
                                                      (Rio de Janeiro, dezembro de 1988)