quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Corpo

Dilgo Khyentse Rinpoche

 
"É uma perda de tempo dedicar tantos cuidados ao corpo e alimentá-lo com delicadas iguarias, vesti-lo com roupas elegantes e tentar fazê-lo parecer mais jovem! O corpo destina-se ao cemitério e será cremado, enterrado ou servirá de pasto para os abutres."

"A partir do momento em que temos o que vestir para nos proteger do frio e o que comer para manter esta existência tão preciosa, por que desejamos tanta coisa supérflua? Nossos ancestrais espirituais se contentavam em ter o suficiente para viver. Eles não cobiçavam se paramentar com roupas luxuosas, nem se alimentar com pratos caros e refinados. E caçoavam desmedidamente do conforto, da fama e das conversas mundanas."

Dilgo Khyentse Rinpoche em "Os Cem Conselhos de Padampa Sangye"

O Corpo

Patrul Rinpoche

"O Corpo é o barco que nos conduzirá às praias da libertação;
O Corpo é uma pedra amarrada ao nosso pescoço para que afundemos nos abismos do samsara:
O Corpo está a serviço tanto do vício quanto da virtude." 

Sutra citado por Patrul Rinpoche em "Le Chemin de la Grande Perfection"

terça-feira, 26 de julho de 2011

Religião

Swami Ritajananda

“Para Swami Ritajananda, o objetivo da religião é produzir uma mudança no indivíduo que a pratica: uma mudança em seu caráter, uma mudança em suas reações habituais, uma mudança fundamental no seu próprio modo de pensar. Uma pessoa verdadeiramente espiritual é alguém que aprendeu a viver em paz consigo mesmo, vive em paz com os outros e enfrenta com competência os caprichos do mundo, no qual todos os seres humanos são forçados a viver todos os dias. O Swami não se impressionava com aqueles que afirmavam ter experiências místicas ou emoções celestes quando elas não eram acompanhadas de uma melhora correspondente na sua maneira de viver. Perguntava sempre: — Você se tornou uma pessoa melhor?
    De fato, a prática espiritual, se for adequada, deve transformar o indivíduo numa espécie de sábio. O meio para atingir esse estado é a meditação, praticada com regularidade inflexível.

                                                                                                Swami Vidyatmananda, Gretz, França

domingo, 17 de julho de 2011

A Grande Stupa no Mindrolling



   A Grande Stupa no Monastério Og Min Ogyen Mindrolling em Dehradun na India, tem 57 metros de altura. É uma das maiores Stupas do mundo e um magnífico exemplo da arte e da arquitetura budista. A Stupa está rodeada por um jardim ornamentado de 2 hectares.


    Na fachada da Stupa, o Buda do futuro Maitreya, está perfeitamente pintado dentro do gau. Descendo os degraus, está o Buda atual, Sakyamuni.


    Nos vários andares da parte interna da Stupa, estão salas de meditação com altares sagrados, todos com elaborados murais pintados na melhor tradição da arte do budismo tibetano. Reliquias sagradas também foram colocadas dentro da Stupa.

Lago com imagem de Yangchenma (Saraswati) no jardim.

    Construída para beneficiar todos os seres e dedicada à paz mundial, a Grande Stupa foi inaugurada em 28 de outubro de 2002.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Gyalwa Choyang

Gyalwa Choyang de Nganlan

    Gyalwa Choyang nasceu no clã de Nganlam no Vale de Uru Phanyul, ao norte de Lhasa. Ele fez parte do primeiro grupo de sete tibetanos a receber a completa ordenação de Shantarakshita e era famoso por sua disciplina.

    Quando ele recebeu a iniciação Kagyé(1) de Padmasambhava nas cavernas de Samye Chimpu, sua flor pousou na mandala de Hayagriva, a personificação da fala de todos os Budas. Diz-se que ele manteve os votos com pureza máxima, praticando em solidão, e atingiu o nível de um vidyadhara. Aperfeiçoando a prática de Hayagriva, ele foi capaz de manifestar a divindade com cabeça de cavalo no topo de sua cabeça e nesse momento o relinchar do cavalo pode ser ouvido. Também é dito que ele era capaz de transmutar seu corpo em fogo flamejante.

    Gyalwa Choyang dominou a prática de longa vida e conquistou (conseguiu domínio sobre) a morte. Durante o tempo de Ngadag Pelkor Tsan, o neto do rei Trison Detsen – o tradutor Maben Jangchub Lodro – foi assassinado e se tornou um espírito irado que atacou o rei. Gyalwa Choyang realizou um ritual onde foi capaz de vencer o espírito e curar o rei. Mais tarde ele ocultou a liturgia para este ritual em Samye Karchu, depois revelado por Kampa Darberchen.

    Entre as reencarnações de Gyalwa Choyang estão incluídos Guru Tseten Gyaltsan, Gyalton Pema Wangchug, Tegchen Lingpa e o segundo Karmapa, Karma Pakshi. Longchen Rabjam foi seu descendente na 26 geração. Nas reencarnações mais recentes estão os tulkus Karmapa, Karma Chagme, tulkus Chagdud, Sang Ngak Rinpoche e Namkha Drimed Rinpoche.

    Gyalwa Choyang significa “ Sublime Voz da Vitoria”


NOTA: 1 Kagyé (ou Drubpa Kagyé) significa “os Oito Grandes Ensinamentos de Sadhana”, o termo se refere aos oito conjuntos de ensinamentos ou transmissões de Mahayoga confiados a Padmasambhava e aos oito vidyadharas da Índia.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Confiança Interior


Continuação do ensinamento Os Quatro Pensamentos Ilimitados, de Jigme Khyentse Rinpoche, postado em junho passado.


Jigme Khyentse Rinpoche 

A Confiança Interior

    Todos nós temos algo que estremece no fundo de nós cada vez que uma palavra vibra no ar, cada vez que vemos uma cor. Ao sentirmos esse estremecimento, esse comichão, coçamo-nos. Não damos conta disso, mas trata-se dum encadeamento muito freqüente, Os ensinamentos propoem-nos o elemento que falta a este processo: a liberdade ou o espaço.

    Quando tomamos consciência do modo mecânico como nos coçamos assim que sentimos a menor comichão, seja ela física ou mental, porque não tentamos esperar alguns minutos antes de o fazer? Podemos tomar a liberdade de nos coçarmos quando queremos e não quando sentimos o impulso para tal. Esperar cinco segundos, dez talvez, ou mesmo um minuto...

    Como fazer? Ganhando confiança no nosso espírito, na nossa natureza de Buda, naquilo a que se poderia chamar a insustentável ternura do ser. Aliás a comichão só existe graças à presença dessa ternura em nós. É uma cintilação, um vislumbre de Buda, e o seu reconhecimento prova-nos que o estado de Buda é possível. Se conseguirmos esperar um pouco antes de nos coçarmos, podemos chamar a isso uma iluminação.

    Um outro aspecto dessa ternura é aquilo a que chamarei uma insustentável leveza, é o aspecto da vacuidade, o aspecto de liberdade. Estamos a tentar cortar alguns dos fios atados à enguia que se agita constantemente em nós, que nos fazem dançar como uma marionete, segundo os movimentos que esperam de nós.

    Observemo-nos um pouco; essa comichão traduz-se no facto de tomarmos uma pose. Todos temos uma pose na qual nos sentimos à vontade. Se alguém se apercebe dela, e vê claro em nós, imediatamente tomamos outra.

    Não se coçar mudando de pose é usar a nossa liberdade. Esta liberdade está ligada a uma estabilidade, uma dignidade que não vacila – o oposto da folha que o vento leva para onde quer.

    Só quando reconhecemos esta comichão, esta nossa falta de liberdade, é que a idéia de Refúgio vinga em nós. O Refúgio é a coragem de abertura, a inspiração: o Pensamento de Iluminação permite-nos uma boa utilização dessa inspiração. É nesse sentido que o Refúgio e o Pensamento de Iluminação são uma arte útil. Claro que isso depende de uma interpretação pessoal.

    Quanto a mim, acho que o Buda é um artista revolucionário no sentido em que a sua arte pode ser-nos realmente útil. A inspiração de que falo não só é o apogeu da arte, mas também abre um campo de acção a quem tome Refúgio. Eis pois uma arte prática, útil, que não é apenas mais um exibicionismo. Há quem despeje emoções sobre o papel ou sobre a matéria, há muitas formas de exibicionismo. Não se trata disso, pelo contrário. É antes algo que ousa ver-se a si próprio sem necessariamente se mostrar no exterior. Toda a prática espiritual, incluindo os preliminares, é apenas um método para tentar oferecer ao nosso espírito os meios de ganhar confiança em si próprio.


Este texto é a transcrição dum ensinamento oral dado por Jigme Khyentse Rinpoche no templo de Ogyen Kunzang Chöling, em Bruxelas, a 24 de março de 1995.

Publicado originalmente na revista Adarsha, n# 02 - outubro/ dezembro de 1996.

Reproduzido com autorização.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Kora na Stupa de Boudhanath


Faça um kora na Stupa de Boudhanath, no vale de Kathmandu, no Nepal.
A câmera balança um pouco nos primeiros 15 segundos, depois de estabiliza.

domingo, 3 de julho de 2011

Tashiding Intemporal


Mt. Kanchenjunga visto do Tashiding Gonpa

    Em Setembro do ano passado, Dzongsar Khyentse Rinpoche postou uma mensagem no site Siddarthas Intent alertando as pessoas que poderiam estar pensando em segui-lo em suas pererinações para Bodhgaya e Sikkim:

    “Aqui na Índia, palavras como “atraso”, “cancelamento”, “confirmação”, “limpeza”, “sem problema”, “sim” e “não” têm significados diferentes. E de fato, se você aprender a apreciar essas diferentes definições, irá descobrir que é isso que faz esta parte do mundo encantadora. Então, as pessoas que estiverem desejando vir do primeiro mundo esperando que seus banheiros funcionem, com chuveiro quente, aqueles que estão casados e pensando no direito a privacidade, que valorizam os direitos individuais e o espaço particular, podem muito bem apenas olhar as fotografias, preferencialmente as em preto e branco e especialmente as tiradas por Cartier Bresson e Raghu Raí.”

Tashiding, paisagem e casa de fazenda

    Participar do drupchen em Tashiding no Sikkim, foi parte prática, parte peregrinação e parte aventura. Cerca de 20 alunos butaneses, tibetanos e sikkineses de Khyentse Rinpoche participaram do drupchen de 10 dias e outros noventa vieram de outras partes mundo. O Tashiding Gonpa fica num lugar afastado, e mesmo indo de carro, se alguém faz isso através dos bloqueios de manifestantes na estrada, há ainda uma boa caminhada de uns 10 a 15 minutos subindo até um lance de escada que precede seus portões. As pessoas se esforçavam para encontrar um alojamento perto do topo, mas quanto mais alto se estava, mais rústicas se tornavam as condições, e as pessoas se entocaram nos mais estranhos lugares para estar mais perto da ação. A ação era um drupchen vermelho e quente, o Ridgin Songdrup de Lhatsun Namka Jigme, num templo muito frio.

    Como todos os encontros da sangha, houve reuniões exuberantes com velhos amigos e foram feitas muitas novas conexões. E claro, o clamor contido pela atenção do guru. Ele apareceu, mas sempre parece tão fora de alcance, emergindo da névoa, desaparecendo , dando alguns momentos de atenção de seu precioso tempo para tantas pessoas quanto possível, antes de seguir com sua graça e sua enigmática. E como os dias avançavam, assim como todos foram ficando sujos e exaustos, ele apenas parecia se tornar mais luminoso.

    Choveu durante vários dias e então chegou o granizo,  de tal forma que um morador, residente há 17 anos, nunca tinha visto, desabou sobre o telhado do templo em um dia ensolarado e frio. A maioria dos dias estava frio, embora as vezes quente. As noites eram frias e no céu uma lua encerada ia de nova a cheia. Perguntamos se existia alguma razão para o drupchen acontecer nessas datas em particular. Será que isso tem a ver com a lua? “ Às vezes, nós verificamos a astrologia para datas, mas desta vez apenas verificamos a agenda do Rinpoche”, disse Khenpo Sonam Tashi. Os grupos friorentos, velhos amigos, andarilhos, bobos da corte e a realeza, estavam envolvidos em todos os tipos de técnicas de sobrevivência, compartilhando suplementos, contando histórias, armando romances, batendo cabeças e passando noites divertidas bebendo “tongba”, a poção do Sikkim, no estacionamento abaixo.

    “Não importa onde vamos,  são as pessoas que encontramos que criam o ambiente e as características de um lugar e que injetam nele uma energia única. Um café se torna “cool” ou um “mergulho” dependendo do tipo de pessoas que ficam por lá, uma festa rave com três centenas de sexagenários e dois adolescentes é improvável  que envolva muito delírio. Inútil será dizer que para pessoas como nós, cujas mentes e percepções não são muito flexíveis, um local sagrado se torna poderoso pela devoção e veneração, não por tapetes de perede a parede.”

Pintura Fresca em pedra antiga – Tashiding Gonpa

    A verdadeira poção da semana, porém, foi a amrita e o mendrup que foi produzido com a ajuda dos monges de Pemayangse ao longo de dez dias. Os preparativos já estavam em curso nos meses que antecederam ao drupchen e foram supervisonados por Khenpo Sonam Tashi. As substancias foram encomendadas e obtidas a partir de um perito em Kalimpong , outras vieram do esconderijo secreto do Rinpoche. “Pílulas Mãe” são necessárias, assim como a farinha é necessária para se fazer o pão. Estas pílulas contêm partes de pílulas, que contêm parte de pílulas que vão pelo caminho de volta até a época de Jamyang Khyentse Wangpo e assim também para o leite do leão das neves, remédios herbais, as oito substancias e assim por diante. Durante o drupchen de dez dias, um dia é gasto para preparar estas substancias, em seguida três dias são gastos misturando e secando as substancias, então no quinto dia, isto é misturado as pílulas mães e as substancias liquidas. Esta mistura é colocada em um grande vaso e a pratica principal começa. No nono dia o vaso é aberto e o mendrup é medido. Todos ficaram muito contentes pois haviam sinais claros de que as substancias tinham aumentado de tamanho, o que é o melhor resultado. Khenpo Sonam Tashi disse que isso significa que o mendrup “acordou”, e que o pior cenário é quando tudo apadrece.

Dzongsar Khyentse Rinpoche e Orgyen Tobgyal Rinpoche fazendo oferendas. foto: Sarah Mist
 

    Os drupchens são mágicos, não apenas por causa da recitação dos mantras que deve continuar de forma ininterrupta durante a noite. Nem todos se inscreveram para todos os turnos da noite, embora alguns tenham se inscrito para quase todos eles. Tshewang Dendup, o “herói” de Mágicos e Viajantes , se tornou o herói da noite, certificando-se de que haviam garrafas térmicas com chá e alguns biscoitos para manter as pessoas acordadas. As vezes apenas duas pessoas apareciam e a pressão pelo sucesso do drupchen jazia sobre seus ombros, o que era suficiente para mantê-los atentos e recitando! Os mantras foram mudando um pouco com o passar dos dias para coincidir com a atividade de produção da amrita.

A Stupa que libera através da visão, Lhatsun Namkha Jigme- foto: Sangpo Shresthra


    Foi nos dito claramente para não reclamar, mas no quinto dia, Tashi Colman estava fazendo seus turnos na sala de meditação alertando as pessoas sobre o exato número de minutos e segundos que faltavam para o drupchen acabar (embora houvesse rumores de que ele poderia ter sido configurado para isso).

Thangthong Gyalpo Tulku e Dzongsar Khyentse Rinpoche em Tashiding. foto: Gerard da Holanda

    Rinpoche sentado no trono ladeado por Thangthong Tulku, a reincarnação do famoso construtor de pontes Thangthong Gyalpo. Jamyang Gyeltshen, que muitos alunos conhecem do centro de retiros Sea to Sky no Canadá, assistia aos dois. Jamyang estava em boa forma, servindo ao Rinpoche todo tipo de loucas misturas, e aparentemente, sempre elaborando mudanças de roupas entre os serviços. Você nunca sabia o que ele iria apresentar na hora do chá, um café expresso perfeitamente tirado em robes Tibetanos, bananas flambadas em vestido tradicional do Sikkim, paan (um snack indiano) em agasalhos de treino, todas variedades de pastas de pimentas. Rinpoche parecia se divertir.

    E o Rinpoche estava mais que apenas se divertindo com os ocidentais que vieram para o drupchen. Ele fez questão de elogiar o esforço que eles fizeram para fazer do drupchen um sucesso. Ele chegou até a dizer que eles “salvaram” o drupchen. Isso foi uma surpresa para alguns monges que  estavam desacostumados com estrangeiros participando de tais rituais. “ No final, eles aprenderam muito”, disse Khenpo Sonam Tashi sobre os monges, “ e eles estavam muito felizes”.

Khenpo Sonam Tashi, Dzongsar Khyentse Rinpoche, Orgyen Tobgyal Rinpoche e Thangthong Tulku 
no último dia em Tashiding

    Rinpoche lembrou que a primeira iniciação que ele recebeu após sua entronização foi de Dilgo Khyentse Rinpoche, a Lama Gongdu, e aconteceu ali mesmo em Tashiding, na sala que agora é usada para armazenamento a frio. Foi também ali que Dzongsar Khyentse Chokyi Lodro foi cremado em 1959. Muitos dos alunos próximos de Jamyang Khyentse Chokyi Lodro eram importantes coordenadores do drupchen. Se alguém não sabia quem eram esses homens, eles podiam se parecer com outros velhos excêntricos com elegantes garrafas térmicas de chá, conferindo se tudo estava correndo bem.  “Chá com manteiga ou doce?” nós perguntávamos a eles. E eles apontavam  e serviam com um sorriso. Mas esses eram os mesmos homens, o carpinteiro e o pastor, que viajaram de Derge com Chokyi Lodro, testemunhando milagres e conhecimento profundo ao longo do caminho.

Stupa de Choki Lodro em Tashiding Gompa

    Após o drupchen, um pequeno grupo de alunos seguiu o Rinpoche até Ghezing (Geyshing), lá Rinpoche fez um puja do fogo e cuidou de duas fogueiras para queimar uma grande quantidade de seus antigos pertences, ele queria limpar o caminho para o novo abade do Gonpa ali. Ele salvou algumas coisas, seu disco dos Bee Gees, um jogo de chá de sua adolescência e claro, suas pechas, mas malas cheias de roupas e livros foram consumidos pelas chamas, enquanto seus alunos cantavam e dançavam ao redor do fogo.


Tashiding visto de Ghezing

    Pelas duas semanas seguintes ao drupchen, os noves monges que vieram do Instituto Chokyi Gyatsho (do Rinpoche em Dewathang, no Butão), permaneceram em Tashiding para enrolar o mendrup em comprimidos, que serão guardados para ocasiões especiais. Ver como funciona a produção, deu a muitos dos que participaram do drupchen uma nova apreciação dos comprimidos preciosos. Muitos participantes já estão de volta a suas casas com seus chuveiros quentes e suas rotinas, alguns continuam no caminho de peregrinação. Mas todos levaram um pouco da memória brilhante de Tashiding com eles, que pode ser acesa ou esquecida, agarrada, usada ou lembrada de forma incorreta. Isso realmente não importa. Como disse o Rinpoche em “O Que Fazer nos Lugares Sagrados da Índia”:

    “Qual é exatamente a motivação correta para se ir numa peregrinação? Na melhor das hipóteses, é desenvolver a sabedoria, amor, compaixão, devoção e um genuíno senso de renúncia (mente de renúncia). Então, como você estabeleceu, você deve fazer o desejo de que sua jornada, de uma forma ou de outra, continuamente lembre-o de todas as grandes nobres qualidades iluminadas do Buda, e que, como resultado, você acumulará mérito e purificará a contaminação (degradação).”

Noa Jones – Fevereiro de 2011

(reproduzido de Gentle Voice, com a autorização de Noa Jones e Pamela.)