sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sugestão para as "resoluções de Ano Novo"


Dzongsar Khyentse Rinpoche, apreciando a bela cordilheira do Himalaia, 
durante as iniciações de Pema Lingpa em Spiti, Himachal Pradesh, India.

    Agora nós descobrimos que ainda estamos vivos após o fim do mundo em 21 dezembro de 2012, o Ano Novo é logo ao dobrar a esquina. Então, gostaria de oferecer uma sugestão para suas “resoluções de ano novo”. Por quê não parar de desperdiçar pensamentos, tempo e energia? No mínimo, você poderia tentar não desperdiçar no nível material, como poupar energia apagando as luzes. Ou, não desperdiçar alimento. Os americanos em particular, desperdiçam muita comida, o que é ao mesmo tempo insano e completamente imoral. Se formos comparar, o caso da Monica Lewinsky nem chega perto de tamanha imoralidade. Os americanos desperdiçam comida, roupa, gasolina, não é só 100% imoral, isso também acarreta consequências globais imediatas para o conjunto da população do mundo e do meio ambiente.

    “Não desperdiçar” é a chave para a fortuna e para o sucesso. Os chineses começaram a aprender com os americanos a arte do desperdício notável, pensando ser marca de muita riqueza e abundância. Mas, quando alguém faz cocô nas calças, não é bem o que devemos imitar.  Nesse ponto, preciso me lembrar, e você também, que recorro à America como um exemplo, mas o hábito imoral do desperdício é agora um fenômeno global, não mais limitado à América e aos americanos.

    Ouvi dizer que a rainha da Inglaterra aproveita o verso dos envelopes usados para fazer listas e anotações, um hábito que adquiriu durante a segunda Guerra Mundial e que ela continua a praticar até hoje. Devemos todos fazer coisas assim. Olhe a sua volta, quanta coisa você tem no seu quarto? O quanto disso você realmente precisa e o quanto é entulho? Claro, não estou sugerindo rigorosas práticas ascéticas, estou apenas mostrando uma forma inteligente de possibilitar uma vida mais fluente para cada um de nós. Certamente, o desperdício não é o caminho para desfrutar de sua fortuna.

    Penso também que estou assombrado por algo que minha mãe sempre me dizia, quando eu era jovem e não termina meus pratos. Ela dizia que se não comesse até ao última garfada, Dzambhala, o deus da riqueza ficaria irritado e me castigaria pelo desperdício de comida fazendo-me um dia morrer de fome. Conselhos antigos, atualmente fora de moda, e que contem muita sabedoria.

    Todos os dias você deixa as luzes acesas sem necessidade. Você realmente precisa deixar correndo a água do chuveiro enquanto ensaboa o cabelo?

    No momento o mundo se vê diante da agonia de lidar com o alto preço da gasolina, e as consequências disso, por exemplo, elevam o preço das passagens de avião e ônibus e encarecem os produtos essenciais, principalmente alimentos, então, muito mais caras. Mas a água é mais preciosa ainda que a gasolina e se o que acontece agora com a gasolina acontecer com a água, nosso sofrimento se elevará para altos níveis da agonia. Portanto, a raiz do problema é causado por coisas simples e que podemos mudar, mas não mudamos.

    Nós também desperdiçamos muito quando somos vitimados por produtos desenvolvidos para serem desperdiçados e substituídos seguidamente. O único objetivo por trás do marketing de tais produtos é ganhar obscenas quantias de dinheiro, então, as empresas que vendem estes produtos nos conduzem a criar hábitos de mais e mais desperdício, assim eles podem nos vender mais e mais coisas inúteis.

    De qualquer forma, isto é apenas meu blá blá blá de Ano Novo...


Mensagem postada no facebook de Dzongsar Jamyang Khyentse, em 28 de dezembro de 2012.

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